TEMAS EM DEBATE

O Calcanhar
de Aquiles
do Windows
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Se o Windows pifou, não
adianta
remendar. É melhor reinstalar tudo.
O Registry é o principal ponto fraco.
por Fernando Lozano
The First IBM Certified Network Communications Engineer in Latin America
A recuperação de instalações
corrompidas de softwares e principalmente do sistema operacional/ambiente gráfico
na grande maioria dos casos não tem sucesso, resultando em um sistema bastante
instável, além do tempo gasto na tentativa de recuperação,
bem maior do que o tempo gasto em uma instalação do zero.
Isto ocorre porque o DOS/Windows têm muitas dependências. DLLs, Registry,
arquivos INI, TypeLibs (para OLE) são compartilhados e atualizados sem nenhum
controle por diversos softwares. Após um problema de consistência de
disco, nunca se sabe até onde foi o estrago e quais aplicativos foram afetados.
Não existe alternativa a não ser reinstalar os aplicativos um-a-um
e aguardar que o próximo aplicativo "dê pau" para reinstalar
o seguinte.
Entretanto, muitos aplicativos instalam DLLs e realizam outras modificações
no sistema sem verificar se esta modificação pode ser realizada (por
exemplo, sobreescrevendo uma DLL já existente por uma de versão mais
antiga ou apagando uma sub-árvore inteira do Registry para gravar uma árvore
nova, em vez de simplesmente editar as chaves necessárias). Por outro lado,
se o instalador foi corretamente escrito, ele nunca irá recuperar as DLLs
corrompidas porque não irá sobreescrever arquivos já existentes.
Resumindo, em vez de se tentar recurperar uma instalação corrompida,
deve-se remover toda a instalação e realizar uma nova do zero. No
Windows, a maiora das situações implica em se formatar o HD e reinstalar
o Windows, service packs e aplicativos.
É um processo muito demorado, mas na maioria das vezes a tentativa de recuperação
demora ainda mais. Só que a instalação do zero pode ser acelerada,
enquanto que a tentativa de recuperação não pode. Você
pode acelerar a reinstalação tendo todos os softwares (ou os principais)
disponíveis em local de fácil acesso, como CDs, ZIP Drive ou drive
de rede (esta é a mais rápida), escrevendo scripts de instalação
automatizada e mantendo uma clara separação dos arquivos de programas,
do sistema e de dados do usuário tanto no disco local quanto no de rede,
de modo que os dados não necessitem ser sempre reinstalados, e que eles sejam
"beckapeados" e restautados facil e rapidamente.
Outro problema que normalmente acontece é relativo a hardware. O hardware
do PC é de muito má qualidade, e existem diversos conflitos entre
as diversas PROMs de placa-mãe, placa de vídeo, SCSI, placa de rede,
etc. Juntando-se a memórias também de baixa qualidade, é muito
difícil estabelecer se a instabilidade de um PC é de software ou de
hardware.
Entretanto, se pouco após uma instalação do zero os problemas
ressurgem, podemos suspeitar de hardware ou de rede elétrica. Problemas de
rede elétrica cedo ou tarde danificam o hardware. No Windows, é sempre
uma boa idéia trocar a placa de vídeo de um PC instável por
outro modelo de outro fabricante, visto que este é o componente mais susceptível
a problemas de bugs no device-driver e de conflitos de PROM (esses conflitos de
PROM são na verdade bugs no firmware). É procedimento padrão
da Microsoft mudar o vídeo para driver VGA ou trocar a placa de uma vez.
Persistindo a instabilidade, troque os pentes de memória, depois outras placas
como de rede ou SCSI, e por fim troque a placa-mãe.
Lembre-se: o fato de um componente funcionar sem problemas em um dado PC não
significa que ele irá funcionar ok em outros PCs.
Lembre-se ambém que o fato de um componente funcionar bem em DOS ou Windows
3,x não significa que ele irá funcionar bem em outros sistemas como
Windows 95, NT, OS/2, SCO Unix, Linux ou Netware. Além desses sistemas exigirem
bem mais do hardware, eles trazem seu próprio conjunto de situações
em que bugs de device-drivers e de PROMs se manifestam. Somando-se isto ao fato
de que poucas empresas têm pessoal especializado e capacidade de investimento
para escrever e depurar os device-drivers e firmware em sistemas que não
do DOS/Windows e o Netware (esses são os mais conhecidos, mais simples e
conseqüentemente os mais baratos), não espere que um PC DOS/Windows
continue funcionando 100% em outros sistemas. Com micros e componentes mais antigos,
o Windows 95 também se torna um risco.
O problema é tão sério que os maiores fabricantes de PCs dos
Estados Unidos (Compaq, HP, IBM, Acer e Gateway) liberaram patches nos seus sites
web pouco depois do lancamento do Windows 98. Alguns patches modificavam o próprio
Windows 98, enquanto que outros eram fixes para os device-drivers e firmware dos
próprios fabricantes.
A maioria do pessoal certificado como MCSE que tem também experiência
com outros sistemas (Netwre, Unix, OS/2) concorda que o NT é de longe o mais
instável de todos em relação a hardware. E tinha que ser, pois
o NT, apesar de 8 anos de existência, já teve 3 modelos diferentes
de arquitetura de kernel e interface de device-drivers, e terá o quarto modelo
quando sair o NT 5.0. Ou seja, a experiência anterior em escrever e deputar
hardware para NT será jogada fora. Contraste isto com o modelo de interface
e arquitetura de kernel mantidos sem alterações significativas pelo
Netware, OS/2 e Unix durante o mesmo período. Esta estabilidade de kernel
não impediu que o Netware incorpore o NDS e o HSS, que o OS/2 incorpore novos
protocolos de rede e dispositivos de armazenamento ou que o Unix evolua para 64bits.
Esta estabilidade é sinal de um bom projeto, enquanto que a instabilidade
(das APIs) do kernel do NT demonstra um projeto incompleto seguido por remendos
diversos.
