
por Roney Belhassof - Team OS/2
( Analista de Sistemas - Analista de Bancos de Dados)
Information for Business
(Comentários a "Internet Business" - Encarte da " Internet.br
")
Salve!
Lendo seu artigo sobre Java e NC não pude deixar de tecer alguns
comentários, afinal a cada dia as tecnologias à volta da manipulação
de informação são mais importantes e, lamentavelmente, quase
sempre mal
compreendidas! Cabe à imprensa e aos bons consultores garantir que as
novas tecnologias sejam plenamente compreendidas pelos usuários. O
custo das más consultorias e da má imprensa resulta em projetos
frustrados.
Logo no inicio do artigo o Java (costumamos usar o masculino por
considerar Java muito mais um ambiente que uma linguagem) é definido
como uma linguagem multiplataforma enquanto ele na verdade é um
ambiente que tem versões para todas as plataformas. E esta não é
sua
principal característica.
Podemos definir Java (muito resumidamente) como a chave para a
corporação levar suas aplicações a todos os pontos com
vantagens e
baixos custos e como o primeiro passo real a caminho da sociedade de
rede onde praticamente todos os dispositivos (e não apenas
computadores) estão conectados. Trata-se de uma mudança significativa
de paradigma e não apenas uma outra linguagem.
Quanto ao NC devemos compreender que ele não é uma substituição
à
arquitetura cliente-servidor. Existe uma crença comum porém irreal
de
que uma tecnologia "mata" a anterior. Na verdade elas se completam. Do
mainframe onde os clientes eram totalmente "burros" passamos a redes
onde o processamento ocorria quase totalmente nos clientes e agora o NC
sugere uma solução que alia os dois paradigmas. Na verdade seria mais
próprio chamar de A NC - A tecnologia de Network Computing.
NC é um conjunto de soluções que utilizam servidores, clientes
NC,
clientes "magros" e workstations "gordas". Para cada elemento
da
tecnologia há várias soluções que trabalham em sintonia:
Unix, OS/2,
OS/390 ou NT para os servidores; JavaOS para NCs, Workplace OS (ou
similares) nos clientes magros e Windows, Unix ou OS/2 nas
workstations. Esta é uma fotografia resumida do que viria a ser a
tecnologia NC. Assim os programas na verdade não rodam necessariamente
no servidor, aliás no caso mais extremo todo o processamento de
interface ocorre no cliente, para isso todo NC possui um processador!
Dizer que todo o processamento ocorre no servidor é um grande
equivoco.
No artigo falou-se ainda em Net PC que teria sido um conceito criado
pela MS e seria um micro-Windows que roda Java. A bem da verdade o
conceito de NPC é antigo (nos mesmos falávamos dele há uns
5 anos
atras) e nada tem a ver com Windows necessariamente. NPC é um micro ou
workstation feito para operar em um ambiente NC. Tem HD e alguns
softwares e sistema operacional instalado, mas deve executar Java e ser
administravel pelo servidor. Hoje tanto IBM quanto Sun oferecem boas
soluções NPC. Assim os Net PCs não trabalham necessariamente
com o
sistema mais "badalado" (esta ai uma definição técnica
bem incomum!) do
momento embora a maioria das boas soluções em NPC rodem DOS, Windows
e
OS/2 e/ou Unix.
Foi dito que o ambiente NC resgata sistemas operacionais esquecidos.
Esta é uma afirmação um tanto encriptica: que sistemas esquecidos?
Atualmente 80% dos dados digitais no mundo se hospedam em mainframes, a
maior parte da Internet se vale de algum sabor de Unix ou Mainframe
(não temos os percentuais), 80% das operações bancarias passam
por
clientes ou servidores OS/2 (que contam respectivamente com 42% e 35%
de todo o mercado bancário). Não podemos confundir atenção
da mídia com
percentual de mercado!
Mais correto seria afirmar que o ambiente NC (aliado a tecnologias de
objetos como CORBA e Opendoc - mas isto só deverá ter atenção
da
mídia dentro de alguns anos) permite integrar a babel que hoje são
os
sistemas de informações, abrindo as portas dos valiosos dados
escondidos do mundo em mainframes sendo ainda capaz de executar
sistemas legados DOS e Windows enquanto se busca um caminho de migração
que torne o mercado de informática mais competitivo. Hummm... Aqui
está uma "previsão" animadora, não parece? Um mundo
onde a
concorrência garanta avanços rápidos e preços baixos!
Vai dar certo?
Isso depende da competência tando nossa (consultores em informática)
quanto da imprensa que são os responsáveis por apresentar as boas
soluções e alimentar o usuário com informações
que os auxiliem a
decidir corretamente.
Parece-me que estes comentários acabarão mais vastos que a matéria
comentada! Mas temos que comentar que para um ambiente/linguagem
com apenas 3 anos o Java merece ser considerado um fenômeno também
em
quantidade de aplicativos. Sabemos que hoje há mais de um milhão de
programadores Java. Ha' mailers, suites de aplicativos (Lotus, Star
Office), navegadores Web, ATM e ordas de soluções especialistas. O
que
falta são aplicativos direcionados ao usuário final como mais
processadores de texto, programas de IRC (alias já existem), Jogos
(já tivemos notícia de pelo menos 2). Isso contudo não significa
que
seja hora de partir com vendas nos olhos para os braços do Java! Cada
caso é um caso e deve ser estudado. Por exemplo: sistemas em tempo
real e de intenso processamento gráfico (como CAD) não devem, a
principio, ser desenvolvidos em Java.
No artigo falou-se no caso Banco do Brasil, realmente uma grande adição
ao currículo do Java. Contudo não tão grande quanto o HSBC
(seis vezes
maior aproximadamente) que também utiliza Java (com OS/2). Aliás
sentimo-nos chamados a lembrar mais uma vez que o Java não chega a
recussidatar os sistemas high end como OS/2 e Unix. Parece-nos mais
próprio afirmar que o Java abre a possibilidade de levar tais sistemas
ao alcance do usuário médio, privilégio que tem sido restrito
a power
users e corporações. A bem da verdade Unix, OS/2 e Mainframe tem
crescido consistentemente nos últimos anos, principalmente os
mainframes que hoje apresentam a mesma taxa dos seus tempos áureos na
década de 70.
Em um ponto concordamos; Java e NC representam um serio problema para a
MS que necessita de um certo monopólio para garantir sua posição.
Sem
tecnologia para competir em performance, estabilidade, usabilidade e
recursos com seus principais concorrentes a máxima "padrão de
mercado"
é sua única garantia de mercado atualmente. Mas dificilmente
significara seu fim ou falência.
Ficamos curiosos e um tanto alarmados com as colocações dos
entrevistados representantes de empresas que tem desenvolvido em Java.
A colocação do Java como um instrumento para revitalizar hardware
quase
obsoleto. O que se pode dizer sem risco de erro é que o Java tem sido
usado em conjunto com CORBA (que, resumidamente, é uma tecnologia de
objetos que permite entre outras coisas interação entre diferentes
linguagens novas e antigas indo desde o C até o REXX dos mainframes)
para revitalizar softwares ilhados em plataformas poderosas mas
inamistosas quanto a se comunicar com outras.
A iniciativa 100% Java é importante mais para garantir sua
portabilidade do que pela dificuldade em partir de códigos legados (uma
missão mais adequada para CORBA e Opendoc como já dissemos). Um
aplicativo 100% java reside no servidor (que pode ser parte da Internet
ou de uma intranet) e pode ser executado da mesma forma tanto por um NC
quanto por um NPC Unix, OS/2 ou Mac/OS. Nem é preciso comentar o que
isto representa em termos de economia tanto para administrar os códigos
quanto para atender as diferentes necessidades dos usuários que vão
desde simples digitadores de dados (que satisfazem-se com um NC) até
executivos (que precisam de workstations para complexos sistemas de
Datamining e Olap).
Como atualmente tempo é uma preciosidade que deve ser sabiamente
preservada preferimos concluir aqui nossos comentários comentando que
ficamos satisfeitos com a iniciativa da "Internet Business" de procurar
colocar luz sobre a questão do paradigma NC. Oportunamente enviaremos
mais comentários. Esperamos que nossas palavras sirvam também de
inspiração a vocês.
